Megan Fox concedeu uma entrevista para a produtora do filme ‘Passion Play’ (no Brasil, O Anjo do Desejo), Rebecca Wrag, onde gravou o material para promover o mesmo. A entrevista foi realizada em Janeiro de 2010, durante o intervalo das gravações no Novo México.

Transcrição: MeganFoxRocksMyWorld | Tradução: Larissa Rosso

REBECCA WRAG: Estamos fazendo isso… Um EPK [kit de imprensa] e depois vamos trocar a fita e fazer uma pequena coisa para o ET [Entertainment Tonight].

MEGAN FOX: Oh, que bom! Eu amo ET!

WRAG: Ok.

FOX: Ok!

WRAG: Ok, então estamos aqui com Megan Fox. Conte-nos sobre a sua personagem, Lily.

FOX: Bem, Lily é… Hum, ela é órfã. Realmente não, o roteiro, e o filme nunca explicam de onde ela vem. Mas ela é adotada por – ou absorvida por – esse homem Sam [interpretado por Rhys Ifans], que dirige um circo. E quando ela passa pela puberdade, ela cresce as asas – ela brota asas. E ela se torna parte do ato circense dele. Ela é como uma mulher-pássaro. E, ela é muito amável e vulnerável. E ela acaba se apaixonando, por Nate [Mickey Rourke], o personagem… Que é, de certo modo, seu salvador de várias maneiras.

WRAG: Você quer uma manga? [Detalhe: Megan Fox estava gripada e fazia frio naquele dia].

FOX: Foda-se, eu farei assim! Esse é o meu estilo!

WRAG: Ok! Ok!

FOX: Estou trazendo o estilo!

WHARG: Como Lily é como você, e como Lily não é como você?

FOX: Lily é… Você sabe, é uma boa pergunta. Porque eu sei. Eu sento e tento me analisar o tempo todo. Mas eu realmente não sei se tenho uma percepção muito boa de como realmente sou. Quero dizer, eu sinto que posso ser realmente vulnerável também, e eu posso mais ou menos… Eu sinto que fui criada assim. Passei toda a minha vida adulta ligada a um relacionamento, com alguém que meio que me protegeu e me criou, não de maneira semelhante, claramente, mas ainda me sinto muito protegida, apesar de ter visto todas as coisas que vi e fiz todas as coisas que fiz. Eu ainda me sinto infantil às vezes, e sinto que essa é uma qualidade que ela tem.

WHARG: Você é mais conhecida por seu filme de ação ‘Transformers’ de muito sucesso.

FOX: Sim, eu sou. Obrigada.

WHARG: Isso [o filme] é muito diferente. Esse foi o apelo?

FOX: Hum… Eu tenho certeza! Acho que o apelo foi ler um roteiro que era bonito e me fez chorar. Me sentei e li por quarenta e cinco minutos direto. E eu nunca faço isso. Eu sempre acabo escrevendo scripts e brincando com meus animais, ou mandando recados ou assistindo ‘Bridezillas’ [reality show de 2004 intitulado Noivas Neuróticas] ou fazendo algo que me afasta do script, e com ele, eu não fiz isso. Eu me sentei e li, e li várias vezes. E minha equipe estava fazendo a mesma coisa. E todos estavam apaixonados por ele, é lindo, é romântico, e parece algo que não vimos há muito tempo no cinema. E esse foi o apelo. Não necessariamente. Não necessariamente porque era diferente de ‘Transformers’.

WRAG: Então, em poucas palavras, o que você diria sobre este filme?

FOX: Acho que esse filme é sobre amor, perda, sacrifício, altruísmo, angústia, confusão, dor, e… redenção e renascimento. Deus.

WRAG: Você acha que há um tema que se destaca?

FOX: Todas essas coisas que eu acabei de dizer.

WRAG: Você está interpretando uma garota com asas, que tem uma reação muito humana às asas, não é?

FOX: Certo.

WRAG: Quero dizer, ela tem vergonha.

FOX: Sim. Sim, ela tem. Envergonhada, talvez ressentida, eu acho. Eu sinto que às vezes pelo que você se torna mais conhecida por falar, eu não quero trazer “fama” para isso, mas você tende a ser o mais consciente das coisas que você normalmente é o mais elogiado. E se ela sempre foi adorada, ou toda a atenção que ela teve é por causa de suas asas, eu imaginaria que ela seria autoconsciente delas, do jeito que eu sou sobre certas coisas. Do jeito que as pessoas são.

WRAG: Como eram as asas? Do que elas foram feitas? Elas eram pesadas?

FOX: Não, elas não eram pesadas. Quero dizer, havia vários conjuntos diferentes de asas. Há um visual de asa enrolada. É basicamente como um nó, com poucas penas nela. Há apenas uma espuma básica que eles colocam debaixo do meu figurino durante a maior parte do filme e eles criam uma protuberância nas minhas costas. E depois há as asas cheias, que os marionetistas usam. E aquelas são feitas de penas! Eu não sei que tipo de penas; Quero dizer, é eu não sei que tipo de penas! Se são penas de pássaros de verdade, ninguém me explicou isso, e eu não perguntei. Mas, elas pareciam para mim, como penas de falcão. Não sei o que são.

WRAG: Qual foi a parte mais difícil de interpretar Lily?

FOX: Acho que, para mim, a parte mais difícil de interpretar qualquer personagem é superar meus próprios nervosismos e minha própria dúvida e me comprometer com isso, e não ter medo de falhar, ou você sabe, fazer algo errado. Ou não meu conecto, ou é apenas uma coisa do meu ramo. Ser autoconsciente ou inseguro é a parte mais difícil de interpretar qualquer personagem. Ela, especificamente, ela tem o lado dela que é completamente diferente da maioria das personagens que eu interpretei, e do jeito que eu fui escalada. Eu costumo ser escalada como uma vadia, ou você sabe, uma personagem badass [foda], ou canibal, ou coisas assim. E ela é inocente, pura e diferente de tudo que já fiz antes.

WRAG: Houve alguma cena em particular que você se estressou?

FOX: Todos elas. Sempre que estou na câmera com Mickey [Rourke], fico estressada. Porque ele é incrível, então isso é intimidador. Estar em cena com pessoas tão talentosas naturalmente. Ele apenas é. Ele nasceu com esse dom.

WRAG: Como foi sua colaboração com ele? Ele disse que você é bastante reservada. Vocês não saíram e festejaram?

FOX: Não, eu não sou uma grande festeira. Eu acho, quero dizer, ele tem sido muito respeitoso com o meu espaço, e o Mickey é realmente engraçado. Mesmo que ele diga isso de mim, eu também acho que ele é reservado. E, você sabe, ele é favorável a mim, e nas cenas comigo e fora da câmera, ele sempre me dá dicas, em particular – eu notei isso 100% fora da câmera, o qual incrível ele é, e a maioria dos atores não faz isso por você, porque eles não precisam, eles fazem você desistir de si mesmo. E depois que ele grava a cena dele, ele ainda vai até mim, para que eu me conecte a ele. Isso é realmente gracioso e incrível para alguém.

WRAG: Este filme parece estar fluindo muito rapidamente.

FOX: Sim. Você esteve no set ultimamente?

WRAG: Os dias em que estive no set?

FOX: Sim!

WRAG: Está acontecendo muito rápido.

FOX: Ok! Hum, quero dizer…

WRAG: Quantas tomadas você gosta de fazer?

FOX: Gosto de fazer até conseguir e, às vezes, acho que nunca a tenho [a cena], por isso realmente não poderia – não seria – não deveria depender de mim o quanto precisamos fazer. Obviamente, fazer duas e três tomadas daria uma sensação de alívio, porque passa seus dias e todos parecem felizes. Mas sempre há essa preocupação, de como poderíamos ter conseguido a cena depois de três tomadas. Mickey tem um take-one. Mas eu não sou assim, não tenho essa sorte. Então, eu fico preocupada.

WRAG: Então, você vê isso como um drama, um romance, um suspense?

FOX: Eu acho que este é um filme noir moderno. É um romance, e é uma tragédia, e são muitas coisas diferentes, eu realmente não sei o que categorizá-lo, ou o que nomeá-lo. Em que gênero colocar. É lindo.

WRAG: “Filme noir moderno” é perfeito. O tempo e o local em que está definido parece ser um tanto vago…

FOX: Hum.

WRAG: Uma espécie de sonho…

FOX: Sim, é vagamente. É um período, mas não moderno, nós não distinguimos… É como um sonho. O que claramente é o objetivo do filme.

WRAG: Algum outro filme serviu de referência para você, meio que conceituando este, como ‘L.A. Confidential’ [no Brasil, Los Angeles – Cidade Proibida], ‘Carny’ [O Circo da Morte] ou ‘Heaven Can Wait’ [O Céu Pode Esperar], algo assim?

FOX: Não.

WRAG: Você usa algumas roupas ultrajantes neste filme, que vão desde os vestidos da Armani até uma cena em que você fica em uma gaiola de vidro, mal vestida. Você ficou frustrada com isso, teve preocupações? Foi difícil?

FOX: Não. Quero dizer, “preocupações”, sobre estar mal vestida? Não. Faz parte do meu trabalho. Eu quero dizer, não é, eu não sei. Eu não acho que seja divertido para a maioria das pessoas. Mas isso faz parte da cena, e não existe nada neste filme que seja gratuito, então eu não tinha preocupações com isso. Minhas roupas não são realmente tão ultrajantes. Calças brancas no deserto, isso é muito escandaloso [referência ao filme ‘Transformers: Revenge of the Fallen’ (no Brasil, Transformers: A Vingança dos Derrotados)].

WRAG: Você esteve envolvida na seleção das roupas, porque Armani?

FOX: Eles enviaram. Você sabe, eles enviaram um vestido vintage para eu usar, para a cena de Gala que era linda! E não sei se conseguimos ver muito disso no filme. Mas eles nos enviaram ele. Também criaram uma lingerie para uma cena que eu estou fazendo. Pessoalmente, eu não sou uma daquelas atrizes envolvidas na definição do meu visual… onde a maquiagem precisar ser de uma certa maneira ou que cabelos sejam de uma certa maneira. Essa não é minha profissão, eu não sou treinada para isso. Portanto, não acho que seja meu trabalho intervir e dizer às pessoas o que fazer. Então eu meio que deixo, qualquer que seja a visão deles para alguma coisa, eu deixo que eles escolham. O maior controle que eu tive foi experimentar quatro pares diferentes de calcinhas, e a que parecesse melhor no meu bumbum seria a escolhida.

WRAG: Conte-nos sobre a cena que você está fazendo hoje na mansão.

FOX: Bem, é uma cena curta. É a minha última cena, do filme que estou filmando. É com Bill [Murray], e o personagem de Sam [Rhys Ifans] entra e ele vai me levar de volta [para o circo]. O personagem de Bill Murray entra, nos encontra e atira em Sam, e no processo da histeria acabo sendo chicoteada por uma pistola. E essa é realmente a totalidade da cena.

WRAG: Sua personagem está envolvida tanto com o personagem de Nate de Mickey Rourke, quanto com Happy, o personagem de Bill Murray. Como você encara as cenas com Happy?

FOX: Bem, acho que uma parte dela, quero dizer, ela [Lily] nunca sentiu que realmente merecia estar com Nate, como se nunca tivesse realmente pensado que merecia esse tipo de amor, ou que alguém poderia ter algum tipo de comportamento altruísta, uma espécia de atração e amor por ela, porque ela sempre foi um objeto de desejo. E ela só foi um objeto, e então, eu acho que ela está esperando que isso aconteça. E então, existe uma resignação que está presente lá, e um acordo que acontece, mas ela ama Nate, e é difícil não estar com ele… eu vou chorar agora, falando sobre isso. Você sabe, é difícil para ela não estar com ele.

WRAG: Então é o seu último dia no set. Quando você relembra a experiência de fazer Passion Play [O Anjo do Desejo], no que você pensa?

FOX: Essa é uma pergunta muito obscura e ampla para eu tentar responder. Eu não sei… quero dizer, acho que apenas pelo fato de ter tido a sorte de poder trabalhar com Mickey Rourke, Bill e todos os atores deste filme que são tão talentosos é uma bênção para mim e não sei por que Mitch [o diretor] me tinha em mente para isso, e por que Mitch tinha fé em mim para fazer isso. Eu me sinto muito sortuda e são experiências que nem todo mundo tem. E que eu nunca pensei que seria capaz de ter, então eu lembrarei disso.

WRAG: Ok, então.

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